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Banda larga fixa: 57% das cidades brasileiras têm apenas um único fornecedor

Via Convergência Digital

Com a banda larga móvel num ritmo forte de expansão, mas com velocidades menores de conexão, a banda larga fixa cresceu menos que o esperado nos últimos 10 anos no Brasil e a maior parte da infraestrutura disponível está nos grandes centros, o que denota uma forte concentração de mercado e com a maior parte das ofertas sendo feita por um único fornecedor, aponta a Ovum. Para analistas da consultoria, é urgente a necessidade de atualização das redes atuais para a melhoria da velocidade ofertada ao internauta.

O levantamento destaca  ainda que há pouca concorrência no mercado de banda larga fixa. Ela só existe em um pequeno número de cidades, as mais rentáveis e as que concentram o Produto Interno Bruto do país. Fora desse ‘núcleo’, o estudo aponta que 57% das cidades brasileiras têm apenas um único operador, responsável por atender toda a demanda existente, sem concorrência.

A pesquisa adverte que a infraestrutura atual está concentrada e não se expandiu para as cidades menores. “Ns cidades com 500 mil assinantes, o nível de penetração da infraestrutura de banda larga fixa segue bem semelhante da apurada há 10 anos”, afirma o relatório. Para o analista principal para a América Latina da Ovum, Ari Lopes, boa parte da população brasileira está sendo atendida por meio da banda larga móvel, mas ele ressalta ser prioritário que aconteça um esforço por parte do governo e da própria iniciativa privada para a expansão efetiva da banda larga fixa.

“A banda larga móvel está concentrada nas cidades com maior poder financeiro. Ela existe onde há retorno econômico. Tanto é assim que 85% das conexões brasileiras fixas estão em cidades que reúnem 53% da população, responsáveis por 71% do PIB. Nas cidades de menor renda, há apenas 2% dessas conexões”, descreve o levantamento da Ovum.

Para Lopes, além da expansão urgente da infraestrutura atual – com um esforço coordenado dos setores público e privado, o que poderia vir a ser um novo Plano Nacional de Banda Larga – é necessário também atualizar as redes existentes para aumentar a velocidade de conexão ofertada ao internauta. “As velocidades ofertadas no atual PNBL, cerca de 1 Mbps, é baixa e precisa ser aprimorada. Ela não dá a experiência necessária para o uso da Internet”, destaca o analista da Ovum.

A consultoria alerta ainda para a necessidade de aumentar os aportes nas redes de fibra óptica, que, hoje, respondem por cerca de 3% das conexões de banda larga fixa. “Faltam redes novas de alta velocidade. O Brasil precisa investir bem mais nessa área. O estudo aponta que apenas 15% das conexões fixas no Brasil estão acima de 12 Mbps”, completa Lopes.

Nesta semana, o ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, informou que ainda neste primeiro semestre, o governo vai apresentar um novo PNBL, com características ainda a serem definidas. Berzoini chegou a falar em banda larga no regime público, mas, ao mesmo tempo, também defendeu a parceria com a iniciativa privada.