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Google pode virar duas empresas na Europa; Entenda

Via Olhar Digital

O Google responde por 90% das pesquisas online na Europa. Mas, recentemente, o Parlamento Europeu aprovou uma proposta para que a empresa seja dividida em duas: uma com a ferramenta de buscas e outra com os demais produtos – Mapas, Email, YouTube, Android, entre outros… A sorte do Google – se assim podemos chamar – é que o Parlamento não tem poder para fazer isso acontecer. A votação serve mais como uma recomendação para que os governos dos países membros da Comunidade Europeia tomem providências. Ou seja, o tempo fechou para o Google, mas a chance de a empresa ser realmente dividida é pequena porque depende da decisão de cada um dos 28 países que compõem a União Europeia.

Mas, a recomendação do parlamento tem o peso de, pelo menos, provocar muita discussão em torno do assunto. O parlamento acusa o Google de praticar monopólio, ao usar sua poderosa ferramenta de buscas para favorecer principalmente seus próprios produtos nos resultados.

A melhor forma de comprovar essas acusações seria entender e conhecer o algoritmo por trás da ferramenta de buscas do Google e assim descobrir se ela realmente favorece a própria empresa. Mas, claro, esse código é proprietário, e o Google não tem o menor interesse que ele seja revelado – ainda que seja para atender a um pedido do Parlamento Europeu.

Oficialmente, o Google não comenta o assunto. Do outro lado do Atlântico, no Estados Unidos, parlamentares norte-americanos saíram em defesa da empresa e enviaram um documento à União Europeia, no qual pedem que qualquer decisão seja baseada em estudos imparciais e objetivos, nunca em uma ação política.

Antes de qualquer julgamento, é importante entender a presença do Google na nossa vida digital. É difícil imaginar alguém que não use alguma ferramenta da empresa. E se entendermos que o uso das ferramentas do Google é uma questão de escolha do usuário, está descartada qualquer ideia de ação monopolista. Por outro lado, especialistas alertam que existe um estado de “pseudo-escolha”, no qual o usuário acha que está decidindo quando na verdade está sendo induzido…

Em 2001, em uma ação bem parecida, os Estados Unidos tentaram dividir a Microsoft. Baseados nessa mesma ideia de pseudo-escolha – já que o navegador da empresa vinha previamente instalado no sistema operacional. A Microsoft foi acusada de práticas anti-concorrenciais. Na ocasião, a empresa de Bill Gates venceu a batalha contra o governo americano – mas foi multada em 730 milhões de dólares pela Comissão Europeia, que considerou a empresa culpada de práticas monopolistas relativas ao Windows. O resultado é que até poucos meses atrás, na Europa, o Windows só podia ser vendido com outros navegadores de internet sendo oferecidos no pacote.