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Netflix diz que acordo firmado com a Comcast não teria sentido no Brasil

Ao participar do VII seminário TelComp em São Paulo, a diretora de Politicas Públicas da Netflix nos EUA, Paula Pinha, deixou claro que a OTT só firmou acordo com a Comcast porque estava tendo o acesso à rede bastante limitado pela operadora, que detém a hegemonia da oferta de banda larga nos Estados Unidos. Aqui a Netflix consegue atuar por meio das CDNs (Content Delivery Networks). “O Brasil está mais avançado na legislação. Aqui a LGT nos garente o acesso à rede. As teles não podem nos negar isso. Nos Estados Unidos, não é assim”, frisou.

Paula Pinha advertiu que os debates sobre neutralidade de rede não devem se concentrar na última milha. “A Comcast nos limitou no acesso à rede. Na Interconexão, muitos antes da última milha e tivemos que negociar um contrato com eles e pagar para ter esse acesso. E se a fusão com a Time Warner sair, eles vão deter 70% do mercado. A Verizon tem apenas 14%”, lembrou. A diretora da Netflix não quis falar sobre os acordos no Brasil, mas deu a entender que a operação brasileira não está tendo problemas com o acesso à rede.

A  posição defendida pelo presidente Barack Obama – que se mostrou contra a priorização paga no tráfego Internet em pronunciamento feito em 10 de novembro deste ano – foi saudada pela executiva. “Todo o posicionamento a favor da neutralidade e de uma Internet livre é defendida pela Netflix. O acesso à rede não pode ser discriminada como nós fomos”, frisou Paula Pinha.

Ela salientou que as OTTs criaram e seguem criando um novo mercado de conteúdo e, por tabela, uma audiência diferente. “A nossa presença fez mudar a própria distribuição linear. O que fizemos foi dar ao consumidor o papel principal. Ele tem que escolher que conteúdo quer ver. Não a operadora/programadora”, acrescentou. A Netflix está presente no Brasil desde 2011 e no mundo já passou dos 50 milhões de assinantes.

Texto Por: Ana Paula Lobo via Convergência Digital