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Provedores que consomem mais banda deveriam arcar com infraestrutura de redes, defende pai da DSL

Via  Finger News

Em entrevista na Campus Party, John Cioffi afirmou que medição de serviços prestados por empresas como Netflix e Chromecast não é feita de maneira justa por reguladores

Pense quantas vezes você teve problemas de conexão à internet nas últimas semanas. Para o pai da DSL e professor de Stanford University, John Cioffi, esse é um problema enfrentado pela metade dos usuários de velocidades superiores a 10 Mbps.

A maioria dos consumidores não está contente com os serviços pelos quais pagam, afirmou o executivo, em palestra na Campus Party. Cioff, que também é fundador da companhia Assia, especializada em soluções de monitoramento de gestão de redes de banda larga, avalia que o valor pago no Brasil pelo serviço é mais justo do que nos Estados Unidos.

“Moro em um país que tem um dos preços de internet mais altos do mundo e nós não temos certamente uma das velocidades mais altas. Acredito que a situação de preço que o Brasil tem é melhor do que a nossa”, comentou.

Segundo ele, a instabilidade da internet é causada por uma combinação de variação de velocidade, erros no pacote, interrupções, reclamação de consumidores e o tipo de aplicação rodada – essa última, uma questão que envolve regulamentação e deveria ser amplamente discutida.

Para o especialista, trata-se de um problema no compartilhamento da internet, que deveria ser igual para todas as pessoas, mas que muitas vezes não é o que acontece, comentou em entrevista ao IT Forum 365.

“Os reguladores precisam de meios melhores para medir esses serviços. É um problema que acontece justamente porque os governantes e reguladores disseram que seríamos neutros. Empresas fornecedoras de serviços como Netflix, Chromecast, e aqui ano Brasil a TIM, Vivo e outras companhias deveriam realizar uma medição justa e reportar aos órgãos responsáveis”, afirmou.

Cioff acredita que muitos dos provedores de serviços e de aplicações querem resolver esse problema para que o compartilhamento seja igual para todos. “Ninguém quer provocar danos a esse sistema, pois eles também se prejudicariam”, acrescentou. Para o executivo, esses provedores que demandam mais banda de rede poderiam ser responsáveis pelos custos das infraestruturas.

O pai da DSL não se posiciona sobre a neutralidade da rede. “Há questões políticas envolvidas”, declarou. Dessa forma, o caminho enxergado por ele para que as pessoas tenham acesso a um serviço de maior qualidade está no envolvimento mais efetivo da população com as discussões de regulamentação do serviço.