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TV digital: Teles e radiodifusores passam por teste decisivo de convivência

Via Olhar Digital

Até aqui muito cordial, a convivência forçada entre teles e tevês vai ser bastante testada nos próximos meses, por conta das decisões mais importantes sobre a implantação da TV Digital. Há diferenças razoáveis sobre o modelo de recepção a ser subsidiado e como garantir que a grande maioria dos brasileiros continue a assistir televisão depois que os sinais analógicos forem desligados.

Por conta do calendário apertado, será definida em 60 dias a configuração do aparelho que converte os sinais digitais para televisores não preparados para eles. Ou ainda, dos 14 milhões de aparelhos que serão distribuídos gratuitamente. De fora, parece uma das caixinhas de TV por assinatura. Mas permitirá que cada espectador interaja com a programação da TV aberta.

A qualidade dessa interação e a ampliação dela para além do conteúdo das tevês varia com a configuração do conversor. As emissoras privadas sinalizam para uma decisão orientada a custo, privilegiando o que é conhecido no setor como a especificação B do Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital. A ideia agrada uma parte das operadoras móveis, mas nem todas.

“Seria uma estupidez perder essa oportunidade. São pessoas que dificilmente vão depois trocar esses aparelhos por conversores melhores”, diz um dirigente de uma das teles, atento a possíveis novos modelos de negócio que envolvam um canal de retorno via 3G ou 4G. Mas nem isso está garantido, uma vez que há resistências até mesmo à incorporação de uma porta USB adicional no conversor.

Entre as emissoras públicas, a defesa é de que a caixinha seja, pelo menos, equivalente à configuração C, que foi testada no projeto Brasil 4D, da EBC. O foco ali eram serviços públicos acessados pela televisão. Mas essa versão permite a inclusão de aplicativos de terceiros, como bancos. E a memória um pouco expandida permite armazenar esses aplicativos localmente.

Se a decisão sobre o conversor promete debate, emissoras também vão tentar resgatar uma proposta que nunca decolou. “Queremos discutir a possibilidade de que o set top box possa ser trocado por um televisor. No Japão e nos Estados Unidos fizeram isso, com o governo completando o subsídio. Com desoneração, talvez cheguemos a aparelhos de R$ 150”, diz Luiz Roberto Antonik, da Abert.

Mas o vetor da partilha dos custos virá de outro tema capital: os 93% de domicílios aptos a receber a TV Digital. Por si só, o percentual assusta. E Dele deriva uma discussão sobre propaganda – vale dizer, se parte dos R$ 3,6 bilhões da Entidade Administradora da Digitalização, o braço operacional do Gired, será usada para comprar espaço publicitário nas emissoras de TV.

A tarefa de comunicação nem de longe pode ser desmerecida. “Não temos apenas que informar a população, mas convencer cada um a trocar de televisor ou comprar um conversor, porque se elas não fizerem isso, não pode desligar, se não desligar talvez ela não compre, e aí podemos entrar em um circulo vicioso”, resume o conselheiro da Anatel Rodrigo Zerbone.